E essa capacidade de nos acostumarmos com o que nos faz mal?
Como pode o ser humano ser tão flexível que adapta-se aos seus incômodos.
Me perdoem o clichê, mas ninguém tira mais as pedras do sapato?
Estamos nós tão calejados que nos acostumamos com o atrito das pedrinhas na sola de nossos pés?
A maioria de nós culpa a geração.Acho que não é por ai...Minha mãe e avó também foram assim, cometeram o mesmo erro. E parece que ele se repete, geração a geração. Em outras famílias e outros amores.
Começamos bem nossas frases. Pontuação ok, gramática quase cem por cento, e tudo flui. Mas assim como o texto nada é perfeito. Até que PUMMM. Em uma frase no meio do parágrafo colocamos um ponto errado. E simplesmente es-ta-cio-na-mos.
Falta o ar!
Aquele ponto é o sinal vermelho no nosso texto!
Não quero...
Não aguento...
Não consigo...
Parece até que não formos preparados para o fracasso.
Logo nós, a geração do esclarecimento. Nós não somos a geração da aceleração. Essa é a geração do meu irmão. Nós fomos preparados para aprender.
Crescemos sabendo que iriamos cair, quantas vezes fossem necessárias. Dá mesma forma nos mostraram os manuais para levantarmo-nos. Falaram da gravidade, do glúten, da farinha branca, açúcar e sal. Das doenças genéticas ou não. Nos ensinaram a entender de economia. A debater política. Nos encorajaram a lutar por nossos direitos. Contaram que o não, não é o fim. E que o fim não é pra sempre. Nos ensinaram a não enxergar nem na morte o fim.
Agora me diga você. Porque um ponto final mal colocado, no meio de uma frase perdida em um parágrafo pode ser o seu sinal vermelho. Se crescemos aprendendo a tentar e só desistir quando esgotarem-se as possibilidades.
E ainda sim, nos mandaram olhar com mais atenção. Talvez um novo caminho. Talvez um novo jeitinho...
Então me diga, por que cargas d'água esse ponto parou você, a sua frase, o seu texto, o seu som?
Logo você que foi feito(a) pra levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Vá! O que você está esperando pra pegar a borracha, o corretivo. Se não der certo arranque essa folha.
Reescreva essa história.
Invente!
Pegue impulso.
Talvez um ponto e vírgula, uma pausa maior pra respirar.
A reticências pra continuação...
Mas vá!
Continue. Por você, por mim, por quem acreditar!

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